Em 2005, Paula Oliveira formou um novo grupo, com arranjos a cargo de Bernardo Moreira, com a intenção de trazer para o universo do Jazz vários clássicos da música portuguesa. Com este grupo gravou o álbum Lisboa Que Adormece (Universal), com Bruno Santos como convidado especial, e apresentou-se num grande número de concertos em salas e festivais por todo o país e no estrangeiro.
Acompanhada pelos mesmos músicos e novamente sob a direcção musical de Bernardo Moreira, lança em Novembro de 2007 um novo álbum, intitulado Fado Roubado (Universal), mais uma vez dedicado a uma leitura jazzística da música portuguesa, que vem apresentar ao Mudas Jazz Sessions. O álbum encontra-se já à venda na FNAC Madeira, em duas versões: CD apenas ou CD + DVD.
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As escolhas de Paula Oliveira têm marcas que definem o seu gosto e a sua carreira: a musicalidade dos temas e dos arranjos, a poesia dos textos. Alguns dos autores seleccionados para este disco têm ainda o mérito de ser bandeiras de uma época: os anos sessenta/setenta em que para os Festivais da Canção eram convidados poetas como Ary dos Santos, de ironia afiada ou de paixão confessa, e com ele Fernando Tordo em alguns dos seus melhores momentos. Não estava sozinho, havia outros a brilhar nos nossos palcos. Ansiava-se por uma sociedade livre, onde a arte finalmente respirasse. Presta-se aqui homenagem a esses precursores que sonharam a liberdade, sem esquecer outros, eleitos pela qualidade trovadoresca das suas composições. Vamos ouvir Carlos Paredes, com a sua guitarrra portuguesa tão intensa; Zeca Afonso, o trovador da revolta; Alexandre O’Neil, o lisboeta convicto, entre a tertúlia de café e um vôo de horizonte alargado; a comovente Sophia de Mello Breyner; Amélia Muge, numa dupla autoria de música e letra e, last but not least, Fernando Pessoa, em versos de puro fado que não destoam do permanente desassossego que lhe é próprio. Não há maior nem mais bela homenagem. O trabalho sobre a memória artística traz-nos a dimensão da alma. À música, incantatória, acrescenta Paula o segredo do dizer bem. A palavra poética transporta o seu próprio movimento, e é de notar como os músicos respeitaram a “solenidade e risco” (entenda-se memória e inovação) de que fala Sophia num dos textos. A concepção dos arranjos permite o brilho dos solos, de luz mais clara ou mais sombria, e de um lirismo ao mesmo tempo expressivo e contido, como é próprio da verdadeira criação.
Yvette Centeno

4 comentários:
Um grande merci Paulo e que em 2008continuemos a contar com este entusiasmo, profissionalismo, generosidade e bom gosto.
Parabens pelas tuas iniciativas em prol da musica e do espectaculo ,estarei na Calheta a ouvir e cumprimentar uma "velha"amiga
Um abraço
Rui Lima
Eu gostava de estar presente mas infelizmente não será possivel, visto que estarei a tocar... ainda não esqueci e, pelos vistos, não esquecerei a aula da Paula Oliveira no workshop da Bigband... simplesmente inesquecivel aula. Um abraço, felicidades para o novo projecto.
Obrigado, Natércia e Rui, pelo apoio! É bom saber que se pode contar com esse apoio, mas é também muito bom saber que há na Madeira um espaço como a Casa das Mudas, interssado em apresentar jazz com regularidade na sua programação. A "culpa" é do Marco Chaves...
Tenho pena, Graciano, que não possas ir, ainda mais face às tuas palavras de apreço pela Paula Oliveira. Porque é que não tentas adoecer, já que pareces não conseguir folga?
Abraços e beijinhos (só para a Natércia),
Paulo Barbosa
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